As mensagens de Avatar

junho 4, 2010
Aviso: contém spoilers, recomendo a leitura apenas após ver o filme.

Somente ontem que assisti ao fenômeno Avatar (2009). Realmente, o filme é um espetáculo de tecnologia apenas viável com os recursos computacionais que possuímos hoje. E, claro, também com o enorme recurso financeiro que James Cameron recebeu. Apesar das imagens belíssimas, os planos cinematográficos e a sutileza das criaturas criadas artificialmente, vou concentrar esse post apenas nas mensagens que o filme tenta passar. Continue lendo »


Across the Universe

maio 7, 2010

Passei minha infância inteira escutando a discografia completa em LP de The Beatles. Não é de se admirar que passaram a fazer parte ativamente do meu gosto musical.

Sinceramente, não é difícil gostar do rock leve anos 60 da banda que revolucionou com o uso de instrumentos pouco comuns em bandas do tipo, arranjos inspirados em música erudita e, principalmente, seus ideais de liberdade, paz e amor. Duvido que exista alguém que não conheça uma música sequer dos Beatles! Os “Reis do Iê-Iê-Iê” conquistaram o mundo e se tornaram um marco na história. Tanto que foram indicados pela revista Time na lista das 100 pessoas mais importantes e influentes do século 20 e emplacam até hoje, ao lado de Elvis Presley, o primeiro lugar dos artistas recordistas de vendas de discos (1 bilhão de discos).

Acredito que para homenagear os garotos de Liverpool foi lançado o filme Across the Universe (2007). O filme, que tem como título uma música da banda, apresenta 33 composições escritas pelos membros do grupo.

Como era de se esperar, a difícil tarefa de construir um enredo se torna praticamente impossível em um musical recheado de canções tão diferentes e distintas. O resultado é um fraco roteiro criando uma trama supérflua, irregular e fragmentada. Temos a história principal de um inglês que decide tentar a vida nos EUA e várias subtramas inacabadas com o intuito apenas de justificar a utilização de cada música.

Porém, acredito que o filme funcionaria muito bem como clipes musicais para novas versões dos clássicos dos Beatles (o que parece realmente ser a única preocupação dos roteiristas Dick Clement e Ian La Frenais e da diretora Julie Taymor). Antes que os fãs me crucifiquem, concordo que as versões originais são imbatíveis, mas tenho que dizer que considero as escolhas para o filme muito bem sucedidas.

Joe Cocker estrela uma releitura imperdível de Come Together e temos um brilhante vocal com quase todos os participantes do filme em Because. I Want to Hold Your  Hand é cantada por uma garota lésbica e contamos com a participação de Bono nas músicas I Am The Walrus e Lucy in The Sky With Diamonds.

Vou ressaltar dois trechos (ou clipes, né) do filme que mais chamaram minha atenção.

O primeiro é Let It Be por ser uma das minhas músicas prediletas dos Beatles. Foi escrita pelo beatle Paul McCartney após um sonho com sua mãe para o último e mais polêmico álbum da banda. Aparece cantada pelo garotinho Timothy T. Mitchum e a cantora americana Carol Woods em uma performance elogiável. Na internet, pode-se encontrar alguns vídeos de Carol Woods chorando no estúdio após interpretar a música.

Como disse, o filme funcionaria muito bem como clipes isolados das músicas. A cena embalada pela música I Want You (She’s So Bad), por Joe Anderson, Dana Fuchs, Teresa Victoria Carpio, tem uma sequência fenomenal. Com soldados robôs participando de uma fábrica de recrutas é realmente digna de ser assistida e conta ainda com uma louvável cena final.

Assim, Across the Universe é um filme, no mínimo, curioso. Vale para os fãs conhecerem as novas versões das músicas e apresentar ao resto o que foi a banda mais marcante da história.

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Guts – Chuck Palahniuk

novembro 18, 2009

Chuck Palahniuk é conhecido por seus textos perturbadores e, principalmente, o livro Clube da Luta (Fight Club, 1996) que foi adaptado para o cinema.

Guts, de autoria do escritor, foi publicado na Playboy norte-americana em Março de 2004 tornando-se um texto bastante comentado desde então. O texto ganhou fama quando, em 2003, durante a divulgação do livro Diary, Chuck leu o conto e mais de 35 pessoas desmaiaram ao ouvir. Apesar da veracidade dos desmaios ser contestada, o texto é realmente tenso e faz parte do livro Haunted de 2005.

A seguir copio uma versão traduzida para o português, de autoria desconhecida. O original (em inglês) pode ser conferido no site oficial do autor, The Cult.

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Sorte na vida

julho 16, 2009

A vida depende muito mais da sorte que de sua eficiência.

Claro! De nada adianta ter sorte e não ser eficiente para reconhecer uma oportunidade ou aproveitá-la ao máximo. A pessoa pode ter a sorte de sempre estar no lugar certo, na hora certa, mas deixar que tudo pareça errado.

Alguns se esforçam em vão. Lutam para aproveitar cada estreita passagem que lhe é aberta na vida, mas continuam não conseguindo passar pela porta. Não adianta testar todas as portas que aparecem em seu caminho se todas elas estiverem fechadas.

Às vezes, tudo uma questão de foco. Escolher a porta certa e esperar até que ela abra. Ou guardar todas as forças esperando avistar de longe uma porta aberta e investir tudo para chegar até ela na hora exata. Ou reconhecer que você já entrou pela melhor porta e focar apenas o fim do corredor.

É… a vida é como um corredor. Cheio de portas que passam o tempo se trancando e destrancando automaticamente. Basta ter sorte para estar em frente à uma que acabou de destrancar. Ao mesmo tempo, não se pode ficar parado, afinal, a vida deve seguir em frente.

Como todo filme de Woody Allen, Match Point me emociona por sua inteligência, diálogos bem estruturados e uma boa dose de reflexão. O filme inicia com a narração abaixo. A história é sobre Wilton, um tenista talentoso buscando um novo rumo para sua vida. Sua sorte é encontrar uma abastada família de portas abertas…

Match.Point

O homem que disse: “prefiro ter sorte a ser bom”. Entendeu muito do significado da vida. As pessoas temem ver como grande parte da vida depende da sorte. É assustador pensar que boa parte dela foge do nosso controle. Há momentos em que a bola bate no topo da rede… e por um segundo ela pode ir para frente ou para trás. Com sorte, ela vai para frente e você ganha. Ou talvez não e você perde.

Desejo-lhe sorte, sorte na vida…

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Admirável Mundo Nosso

maio 26, 2009

Admirável Mundo Nosso_0002_NEW[(000606)13-27-18]Já se passaram 2 anos…

O que era pra ser um simples trabalhinho de algumas horas para um propósito simples, consumiu noites e noites afora, durante vários dias e se tornou um projeto.

Graças ao meu grande amigo Anderson que fecundou a idéia, escolheu a trilha (diga-se de passagem muito bem escolhida) e selecionou algumas cenas de um documentário que enviei a ele anos antes. Um trabalho de depuração digno de diretor de cinema.

Sobrou a mim a tarefa de fazer quase toda a montagem. Transições entre cenas, timming… Tudo milimetricamente acertado usando ao extremo todo o perfeccionismo que sempre me cerca. Por isso demorou tanto… Maldito perfeccionismo! Acabei decorando todas as cenas de tanto que assisti para sincroniza-los com as músicas.

E tudo acompanhado do incrivelmente comprensivo “diretor” Anderson com seus olhos atentos e cansados.

O resultado? Um vídeo bem elogiado no youtube e criticado pela sua mensagem “supostamente” ecumênica. No final de 2008, um novo trabalho consumiu algumas horas para inserir legendas. E assim que as legendas foram atualizadas no youtube, o video começou a receber comentários em outras línguas…

Mas a ideia era apenas chamar para uma reflexão sobre o que fazemos como nosso mundo tão diversificado… Por não conseguirmos manter a paz num mundo tão belo e, ao mesmo tempo, tão diferente! Como lidar e respeitar todas as diferenças entre raças, povos, nações e ideais se não tivermos um elo forte de ligação entre todos? E como é possível, em uma época em que as distâncias se encurtaram, o mundo ser tão grande ao ponto de nunca termos visto as cenas do filme antes?

Um mundo admirável e nosso que estamos deixando que se acabe… O Admirável Mundo Nosso!

Música:
Lágrimas da Mãe do Mundo, da extinta banda de rock alternativo Sagrado Coração da Terra do Marcus Vianna.

Cenas:
Retiradas do documentário Baraka (1992) que, curiosamente, não possui nenhuma trilha sonora durante seus 97 min de projeção, apenas sons ambiente. Produção americana dirigido por Ron Fricke e filmado em 23 países, entre eles o Brasil.

Título:
Pra quem não sabe, o nome foi baseado no famoso livro de ficção científica de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo publicado em 1932. Já inspirou músicas como Admirável Gado Novo e Admirável Chip Novo, de Zé Ramalho e Pitty, respectivamente. É uma fábula futurista onde a população, fabricada em laboratório, é pré-condicionada biologicamente e psicologicamente a viver em harmonia dentro das leis e regras sociais. O conceito de família não existe e qualquer dúvida sobre o sistema é dissipada com o consumo de uma droga chamada “soma”. Um livro tão antigo e tão dentro da filosofia capitalista e materialista de nossa sociedade atual.

Programa utilizado:
O simples e ineficiente Windows Movie Maker.

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Música do Dia #3

abril 22, 2009

Quem assistiu Dogville sabe o contexto dessa música. O filme de Lars Von Trier, primeiro de uma trilogia, é um sátira aos Estados Unidos. Lançado em 2003 e bastante polêmico pelo seu “cinema experimental” é uma obra prima do cinema.

E não tem como negar que David Bowie é… David Bowie!

Não há aqui um homem que saiba dizer basta?
Não há uma criança que eu possa abraçar sem julgar?
Não há uma caneta, para que escrevam antes de morrer?

David Bowie – Young Americans

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