O dia que peguei uma estrada que ia de lugar algum pra lugar nenhum

Na última sexta-feira precisei fazer uma viagem. Coisa normal no meu trabalho, vivo viajando por aí. Tinha que ir até Cabeceiras/GO. Sabe onde fica? Pois é… nem eu! E é aí que começou todo o problema…

Eu deveria estar lá às 10h00 para uma reunião. Mas, como tinha outra reunião antes, em Brasília (mais especificamente em Taguatinga), não dava para ir muito cedo. Olhei no mapa: Taguatinga-Cabeceiras eram exatos 153km. Distância adequada para umas 2h de viagem, pensei. Chegaria lá um pouco atrasado, mas era aceitável. Melhor que não ir.

Contando com o trânsito complexo neste horário, pesquisei no Google Maps o caminho mais curto. Logicamente, seria também o mais rápido. E achei um. Era sair do Distrito Federal já na BR-479 e seguir na mesma até chegar na cidade. Veja (clique para ampliar):

Repare bem onde fica a cidade de Cabeceiras. No extremo leste do estado de Goiás. Praticamente na divisa entre Goiás e Minas Gerais. Entre no Google Maps e dê um “zoom out” na região. É uma parte de Goiás exatamente entre o Distrito Federal e o estado de Minas. Isso significa que não era uma região boa o suficiente para ser integrada ao urbanizado DF quando este foi criado e, muito menos, para Minas Gerais dar importância, visto que, para ir da capital Goiânia até o município é necessário atravessar Brasília inteira!

Uma rápida pesquisa na Wikipedia revela (Wikipedia tem quase tudo mesmo!) que se trata de um vilarejo com pouco mais de 6.700 habitantes. A própria fonte de consulta acrescenta que, segundo o IBGE, o município faz parte da microrregião do Entorno de Brasília. Fato que comprova o meu primeiro argumento.

Mas, essa pesquisa, que deveria ser prévia, só fui fazer agora. Inocentemente acreditei nesse mapa e, sem consultar outros mapas ou até mesmo outras pessoas, liguei meu GPS e segui viagem. Contornei o lago Paranoá que fica logo acima do bico do “avião de Brasília”, peguei a DF-250 que é uma estrada até muito boa. Pista simples, mas sem um buraco. Era uma viagem tranquila… e demorada! Não sabia que chegar até a divisa leste do DF-GO era tão longe! O GPS sempre me mandava seguir outro caminho, coisa que não entendia (só fui entender mais tarde), mas segui de acordo com o mapa do Google.

Tudo ia muito bem. Até chegar nesse cruzamento assinalado no mapa abaixo, antes mesmo de atravessar a divisa entre os dois estados. (clique para ampliar)

Era uma rotatória entre duas rodovias estaduais. Para seguir pela DF-250/BR-479, eu precisava atravessar a rotatória e seguir por uma estrada de terra. Isto mesmo, uma estrada de terra! O GPS me orientava a pegar a esquerda e o Google Maps a seguir pelo pó (pra quem não sabe, a região passa por um período de seca que vai de março até outubro, 30% de humidade e zero! de preciptação, ou seja, pó mesmo)

Dando um zoom na encruzilhada, e exibindo a visualização por satélite, dá pra entender bem o que estou dizendo. Só agora fui reparar que as rodovias do Google Maps na região não está no local exato. Agora é tarde… Minha aventura já havia começado. (clique para ampliar)

Certo de que o oráculo é o senhor de toda razão e que não posso contraria-lo, decidi seguir pela rota que iniciei. Agora também era uma questão de curiosidade saber como seria aquela estrada, quantos km eu iria andar na terra e onde aquilo tudo iria dar!

Depois de levantar muita poeira durante 7,5 km numa estrada de terra inteiramente seca e com meu GPS sempre me dando orientações (que relevei) de pegar a próxima a esquerda, cheguei, acreditem, em lugar nenhum! Isto mesmo. A estrada termina em frente a uma casa aberta e sem portas com 2 cachorros vira-latas e uma cerca de arame farpado caída. Em volta, plantações e mais plantações…

Por sorte, e o que é mais engraçado, havia sinal de celular naquele lugar. Abri o Google Maps para ter certeza de onde eu estava. Estava exatamente na já conhecida de vocês BR-479 e entendi porque o GPS automotivo insistia que eu virasse na primeira à esquerda. A estrada simplesmente terminava no meio do NADA! Mudei para a visualização por satélite e foi exatamente essa notícia que eu tive (clique para ampliar):

Novamente, a rodovia não está onde deveria estar. Se é que podemos chamar isso de rodovia. O ponto B no alto à esquerda é onde fica a casa que a estrada termina. À direita, está a divisa entre os estados e em volta… bem, em volta, floresta! Ah! E um rio que, quando eu vi, deduzi que realmente essa BR-479 não chegaria em lugar algum. Ampliei na hora que parei o carro e nada de ponte. Tinha uma trilha no meio da mata, mas nada de ponte pra atravessar o rio.

Como ainda não inventaram um carro anfíbio (na verdade, já inventaram até ônibus anfíbio, mas não tenho um) dei meia volta e peguei a mesma estrada de terra de volta à Brasília. Já eram mais de 11h e melhor desistir de querer chegar em Cabeceiras…

Mas foi uma aventura e tanto! Os mais de 20km de terra que andei era em uma estrada bem plana, sem ondulações ou buracos, o que permitiu que acelerasse bem o carro. Pena não ter uma dessas caminhonetes nessas horas. Senti-me em um verdadeiro rallye fazendo curvas à mais ou menos 100km/h, levantando poeira e com o veículo solto sobre as terra.

Pena que o coitado ficou desse jeito aí. Se do lado de fora estava assim, imagina dentro das frestas?

Voltei para Brasília e mandei direto fazer uma geral e tirar a poeira que cobria o carro. Tinha que fechar a porta com cuidado para não entrar pó vermelho dentro do carro…

E fico me perguntando: será que para o DNIT e DER essa rodovia e essa bendita ponte existem no papel? Brasil, Brasil…

.

Anúncios

13 Responses to O dia que peguei uma estrada que ia de lugar algum pra lugar nenhum

  1. Glicia disse:

    Q furada!!!!
    teve uma vez q eu vinha pra minas e tentei fazer um caminho alternativo pra fugir dos pedagios
    me dei mal, parei numa estrada de terra mto doida
    mas pelo menos ela tinha fim
    dava numa hidreletrica com estrada de paralelepipedo
    q dava na cidade q eu queria chegar
    =P

  2. Vc não viu nada… quando eu era pequeno lá em Barbacena, eu fui fazer uma viagem com meus pais… A gente tava indo pra Assunção no Paraguai comprar umas muambas…

    Eis que meu pai resolveu entrar n’O TÚNEL… é…

    O famoso TÚNEL!!!

    A gente atravessou e chegou no Chile!

    E dizem que tem uma continuação dele até Machu Picchu e uma alça q leva até São Tomé das Letras.

    O negócio eh sinistro!

  3. henriquer disse:

    HAHAHAHAHA é cada um…

    A Glicia ta mentindo…
    O Rogério não!

  4. Cacá disse:

    hahahahahahahahahahahahahaha

  5. Bella disse:

    bem vindo ao Goiás!
    um dia desses te mostro as fotos da viagem ao Parque das Emas… era época de chuva e tem patos nadando na estrada de terra… muitos patos!!!

  6. Marcelo disse:

    cara… peguei essa estrada hj, mas vindo de cabeceiras/go. Cheguei tb numa casa com 3 cachorros e um pessoal sentado numa carroceria de caminhonete que me informou a mesma coisa: a estrada não existe. MAS ELA EXISTE NOS MAPAS DO DNIT no site http://www.dnit.gov.br!!! como vc disse, Brasil, Brasil…

  7. Robledo Teles disse:

    Ainda ontem resolvi fazer um passeio de Brasília a Formosa! Programão: assistir Formosa X Volta Redonda pela 4ª divisão do Campeonato Brasileiro. Mas isso é outra história. O que quero contar é que fui fazendo o mesmo caminho pela DF-250, seguindo “mais ou menos” o meu GPS, já que a estrada fica um pouco desfocada. Fiquei impressionado com a qualidade do asfalto, lisinho mesmo, eu era o único na estrada. Também, domingo, 3 da tarde, 16% de umidade do ar! Só eu mesmo. Eu estava achando tudo lindo! Cheguei então na rotatória, onde cruza com a DF-100. Mas eu fiquei com uma curiosidade de ver onde aquilo ia dar! Mas como o jogão era imperdível (!), resolvi pegar a DF-100 e deixar a aventura na BR-479 para outro fim de semana. E hoje, do nada, descubro essa sua história no Google! Estou salvo de uma roubada! Obrigado amigo! E conferi na página do Ministério dos Transportes, lá consta a estrada como totalmente “implantada”. Meudeusdocéu, o que será que isso significa!

  8. Cleber Guimarães de Freitas disse:

    Meus caros, esta estrada já existiu. Eu explico: E que esta estrada corta o Campo de instruções do exército. No ano de 1976 a união desapropriou uma área de 130.000 hectares. Esta estrada, como já existia, passou a fazer parte da “área do exercito” e um belo dia, eles simplesmente fecharam a estrada, colocando uma barreira na ponte sobre o rio Preto.
    Com esta atitude, quem quiser chegar a Cabeceiras a partir de Brasília tem que dar uma baita volta, passando por Formosa e indo até o trevo da BR 020 com a estrada para Cabeceiras.

    Cleber Guimarães de Freitas
    Formosa GO.

  9. anaciro farias disse:

    eu tbm cai nessa!

  10. Fernando Mendes disse:

    Tentei fazer esse trajeto (de bike) pela BR 479 e quebrei a cara, igualmente a vc. Na divisa DF/GO, a rodovia desaparece em meio ao mato. Para seguir para Cabeceiras é preciso dobrar à esquerda no trevo, pegar a DF 100 até alcançar a BR-020, passar por Formosa e, mais adiante, ingressar na GO 436, que dá acesso a Cabeceira.

  11. Emerson disse:

    Valeu amigo, consultando esse local encontrei seu depoimento…

  12. Marcelo Souza disse:

    O Cleber Guimaraes esclareceu tudo. O legal é que se vc olhar no mapa é uma grande reserva natural, ainda que seja um centro de treinamento do Exército

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: