A cadeirinha da pátria mãe gentil

Você tem um carro. Tá. Você tem um filho. Tá… Tudo indica que você irá querer o melhor para o seu carro e também para o seu filho, correto? Pelo menos era de se esperar, mas não é o que ocorre. Estranho, mas é assim!

A partir de amanhã, uma regulamentação do CONTRAN começaria a ser fiscalizada. A resolução 277, de 28 de maio de 2008 dispõe sobre o transporte de menores de 10 anos e a utilização do dispositivo de retenção para o transporte de crianças em veículos. Em palavras menos sofisticadas, “dispositivo de retenção para o transporte de crianças em veículos” é a famosa e já conhecida “cadeirinha“.

Brasil tem uma antiga característica de se preocupar pouco com segurança. Algo que, acredito mesmo, está mudando e continuará melhorando, mas ainda é um mal que assola nossa terra. Veja, por exemplo, as instalações elétricas das residências daqui. Depois de muitos e muitos anos, só em 2002 foi colocada em vigor a norma mais consciente de plugues e tomadas até então. As tomadas antes utilizadas por aqui não possuíam terra. Terra!  Inacreditável como algo que previne choques elétricos que podem matar não fosse levado a sério. Pior, era o sujeito que comprava um computador, que vinha com um plugue no padrão americano e ficava fazendo adaptações com benjamins e adaptadores baratos para poder ligar na energia. Ou, quando muito, simplesmente cortando o pino terra do plugue. E todo mundo ainda ficava revoltado e indignado sobre o porque raios aquelas tomadas eram daquele jeito!

Tá, a nova norma entrou em vigor em 2002, quando EUA e todos os países da Europa já tinham as suas bem definidas. Foi dado um prazo para adaptação das indústrias e comércio e, acredite, chegaremos em 2020 com a maioria das residências ainda sem tomadas no padrão e malha de aterramento eficiente. Pode apostar!

A resolução do CONTRAN que citei acima segue a mesma linha. Publicada em junho de 2008, a norma previa um prazo de 2 anos para adequação com previsão de início de fiscalização em 9 de junho de 2010. Tudo bem, o prazo seria necessário não apenas para que os fabricantes se adaptarem, mas também para que os motoristas adquirissem os equipamentos. DOIS anos!

No segundo parágrafo escrevi que a regulamentação COMEÇARIA a ser fiscalizada, o que não ocorreu. Os dois anos se passaram, a mídia noticiou os fatos, os fabricantes criaram turnos extras para produção e ninguém se mexeu… Na primeira semana deste mês, busca frenética do produto nas lojas, resultando em falta de dispositivos no mercado e, consequentemente o anúncio do CONTRAN de alteração da data de início da fiscalização para 1º de setembro de 2010.

Primeiro ponto: como sempre, deixamos tudo para o último dia. O imposto de renda é no último dia, a vacina contra a gripe suína é no último dia. O prazo para matrícula do filho na escola fica para o último dia, as contas são pagas no dia do vencimento. Tudo no Brasil é para última hora. Eleições vem aí e muita gente escolherá o candidato quando chegar na seção de votação.

Com as cadeirinhas foi a mesma coisa. Dois anos se passaram e brasileiros da pátria mãe gentil deixaram para comprar apenas na última semana. As prateleiras, claro, ficaram vazias.

Tudo bem, deixar a declaração do imposto para o último dia é aceitável. Mas não dá pra entender como um pai pode demorar DOIS anos para se preocupar com a segurança e saúde do filho. E durante todo esse tempo, o filho dele tava andando de carro como? No banco de trás sem cinto? No banco de trás com um cinto no pescoço? No colo da mãe sentada no banco da frente?

É inaceitável algo como esse. Uma lei dessas com multa de R$ 191,54 e 7 pontos na carteira não devia nem existir. Instintivamente, todo pai e mãe deveria preocupar com o bem-estar do filho sempre. Tudo bem criar normas para padronizar as cadeirinhas e dispositivos de elevação, mas multar quem estiver descumprindo? O pai pagaria perdendo o filho, mas assim não aprende. O filho de muitos parece valer menos do que as centenas de reais da multa. Ou menos do que os 200 – 500 reais que custa cada dispositivo. E o Estado se vê obrigado a agir para salvar a vida desses pequenos inocentes. Criar lei para proteger a vida de crianças contra a negligência dos próprios pais…

Mas era de se esperar. Nossos motoristas preferem pagar uma fortuna para colocar um bom som e rodas bonitas no carro e não se preocupa em comprar um pneu decente, trocar o limpador de pára-brisas quando estiver ruim, trocar uma lanterna queimada e fazer uma revisão no automóvel antes de viajar. Sério que alguém acreditou que iriam se preocupar com a acomodação da criança no carro? Gasta-se mais com beleza e acessórios de luxo do que itens de segurança. Quanto aos pais desleixados, até entendo ele não ligar para sua própria saúde, mas não se preocupar com uma criança, não consigo entender…

Os carros nacionais não tem air-bag, freios ABS e itens de segurança tão comuns nos veículos de outros países. É preciso uma lei para que sejam adotados para todos. E um dos motivos que influenciam isso é simples: ninguém aqui se importa! Se passarmos todos a exigir e adquirir apenas automóveis com mais itens de segurança, um UNO não seria comercializado aqui. Se tem é porque tem quem compra.

Ou seja, acaba que todo esse descaso é um atraso para o país e não reconhecemos isto. Poderíamos estar muito mais evoluídos se as normas fossem prontamente executadas e cumpridas e exigíssemos mais qualidade dos produtos que compramos.

Enquanto isso nosso país vai se balançando em um jogo de cadeirinhas como uma criança mimada que ninguém quer.

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10 Responses to A cadeirinha da pátria mãe gentil

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Henrique Rodrigues and Henrique Rodrigues, Daniela Abras. Daniela Abras said: @PuntoBlu MUITO BOM post no #puntoblog!!!!! http://bit.ly/9G0aEf Parabéns!!!! vc anda me surpreendendo com seus PUNTOS de vista […]

  2. BragaMatta disse:

    Felizmente ou infelizmente, o lance é que você está a frente da maioria. Aliás, a frente da minoria inclusive. Não sei nem o que dizer. Desabafar já é algo…

    Keep goin’…. Abraços.

  3. nilda disse:

    comcordo genero e gral agora gostaria que me explicasem o sequite tenho 4 filhos de idade de 9anos de 7 anos de 6 anos e de 3anos nao sou rica pra ter dois carros nem uma vam e nem quero como vou faser pra colocar as crianças no noso carro com todos estes equipamento se vcs souberem por gentilesa me respondao pis pra min esta lei e um absurdo e para gemte rica e ate duvido que vcs vao publicar minha revolta

  4. daniel disse:

    este caso tanbem e o meu tenho 4 filhos menos de 10 anos cada um alquem pensou em casais com mais de tres filhos lei pra rico absurdo estamos revoltados

  5. Cacá disse:

    ‘E viva a lingua portuguesa!’

    • daniel disse:

      escuta individo se vc nao tem resposta INTELIGENTE pra dar fica na sua nao estou pedindo pra corigir o portuques ta senhor inteligencia suprema

  6. Roberta disse:

    Olá. Concordo em parte. Quando minha primeira filha nasceu (2002) comprei o bebe conforto e posteriormente a cadeirinha. Nasceu o segundo filho (2003)e usei o bebe conforto. Quando ele parou de usar o bebe conforto, comprei uma segunda cadeirinha. Não cabia então mais ninguém no banco traseiro do carro. Furtaram nosso carro, com as duas cadeirinhas dentro. Seguro pagou o carro, mas não pagou as cadeirinhas. Comprei nova cadeirinha, mas somente uma. A mais velha já colocava no cinto de segurança, de dois pontos pois o de três pontos passava pelo pescoço e não existia no mercado o assento de elevação. Em 2005 nasceu o terceiro filho. Usava o bebe conforto e uma cadeirinha…minha filha mais velha se espremia entre um e outro. As crianças cresceram e pararam de usar bebe conforto e cadeirinha, mas sempre colocava os cintos de segurança, passando apenas na cintura. Saiu a resolução do Contran, comprei o assento de elevação para o mais novo e comprei 2 adaptadores para serem usados no cinto de três pontos, de forma que o cinto não passe pelo pescoço, mas pelo peito da criança. Em 2010 nasceu meu quarto filho. Quando saio sozinha com os quatro faço o seguinte: Coloco o bebe conforto, o assento de elevação, minha filha mais velha usa o cinto com o adaptador e o meu filho ‘mais alto’ vai na frente, também com o adaptador, pois segundo a lei, quando o número de crianças excede o número de cintos de segurança da parte traseira, o mais alto deve ir na frente. Agora pergunto: e meu marido? vai na mala? ou será que não podemos mais viajar ou sair todos juntos? Não questiono a obrigatoriedade de dispositivos de segurança, pois eu mesma já uso muito antes de ser lei. O que questiono é a rigidez da norma. Não se pode mais dar uma carona, nem pegar carona. Chega a ser ridículo pois se me pararem na rua porque meu filho que tem 7 anos e quatro meses não usa (outro) assento de elevação, eu tenho que largar meu carro e pegar um taxi com todos eles…no taxi, vai todo mundo espremido e sem cinto e tá tudo bem.

  7. daniel disse:

    realmente alguem que pensa como a gemte mas nao estamos mais preuculpados comtinuamos a andar como sempre adamos e nada acomteçeu e nem vai acomtecer e como estas leis idiotas sempre acabao em pizza iqual a lei do quit 1 socorros nao vai dar em nada e vai acabar

  8. henriquer disse:

    A questão levantada por mim está bem além se a criação da lei é justa ou não. Trata-se de responsabilidades.

    No meu ponto de vista, leis como esta nem deveriam existir. Como também não deveria existir lei obrigando a utilizar cinto de segurança no banco da frente. Mas, como mostra o cidadão acima, não somos pessoas tão responsáveis o suficiente e o Estado se vê obrigado a proteger crianças inocentes.

    A resolução do CONTRAN saiu em 2008. Todos tiveram 2 anos para discutir e apresentar as possíveis dificuldades e empecilhos. Ninguém se manifestou.

    E, Roberta, se quer saber mesmo o que eu acho: ou compre um automóvel que caiba toda a família confortavelmente, ou compre outro e saia com dois, ou simplesmente não saia e utilize o transporte público. É a vida do seu filho que está em risco. E isto não tem preço algum que irá pagar depois…

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