Guts – Chuck Palahniuk

novembro 18, 2009

Chuck Palahniuk é conhecido por seus textos perturbadores e, principalmente, o livro Clube da Luta (Fight Club, 1996) que foi adaptado para o cinema.

Guts, de autoria do escritor, foi publicado na Playboy norte-americana em Março de 2004 tornando-se um texto bastante comentado desde então. O texto ganhou fama quando, em 2003, durante a divulgação do livro Diary, Chuck leu o conto e mais de 35 pessoas desmaiaram ao ouvir. Apesar da veracidade dos desmaios ser contestada, o texto é realmente tenso e faz parte do livro Haunted de 2005.

A seguir copio uma versão traduzida para o português, de autoria desconhecida. O original (em inglês) pode ser conferido no site oficial do autor, The Cult.

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Universitários de saia justa

novembro 14, 2009

Todos ficaram sabendo quando o caso da garota de saia da Uniban ganhou repercussão nacional (até mundial, vide NYT). De um post com o vídeo gravado de celulares de um simples blogueiro, o tema ganhou espaço na televisão, sendo discutido nos principais telejornais do país por vários “entendidos” do assunto.

Vê se aí pessoas se aproveitando da situação. Uma universidade que utiliza horários nobres da TV para divulgar sua decisão (e posteriormente sua indecisão), uma aluna que de vítima passa a lucrar de formas lícitas com o episódio fazendo até um make-up no visual, jornalistas loucos por um furo de reportagem e, claro, piadistas prontos para comentar o caso. Não nego que este último foi a vertente que mais me interessou. 😉

Tudo começa quando uma desavisada “sem-noção” do ridículo decide exibir suas formas não tão esculturais assim, em uma mini-saia não tão pequena quanto sua vergonha. Junte a isto um bando de universitários que, sem saber qual o propósito de estarem naquele recinto, transformam em circo um campus universitário coordenados por despreparados.

Aquele mesmo tipo de pessoa que não ouviu dos pais um: “não filha, você não vai sair de casa com esta roupa inadequada” faz parte do grupo de pessoas que nunca escutaram um: “não bata no seu coleguinha!”. Ambos fazem parte dos que cresceram sem aprender limites. Sem saber que, para conviver com outras pessoas, não podemos sair por aí fazendo tudo o que passa pela cabeça.

Vários defenderam a aluna comparando-a com feministas de décadas anteriores que tanto conquistaram para as mulheres do mundo. Alguns discordam alegando que ela nunca foi “santa” e, além de mostrar as pernas, exibiu também a calcinha (ou a falta dela) para os colegas dando motivos para que fosse chamada de puta. Porém, ao agir daquele modo, os universitários que, adequadamente, a queriam longe do seu meio, perderam a razão. Nada justifica a atitude infantil daqueles

Para piorar, temos uma universidade despreparada para tomar uma decisão e, sendo levada pela mídia e opinião popular, primeiro pune a adolescente com uma expulsão e, posteriormente, por ver o prejuízo futuro que teriam com a desaprovação popular, se redimem do erro com uma carta do reitor e a readmissão de Geysi. Não que a Uniban seja uma faculdade ruim, longe de generalizar, mas no caso e unidade específicos, foi um fracasso total para uma universidade que se mostra sem uma postura ética definida. Como acreditar na seriedade da Uniban quando se tem um conselho diretor que fica sempre em cima do muro? Que crédito ela merece?

Isto tudo deveria levar a uma análise crítica da forma de admissão em faculdades particulares. O conceito de “pagou-levou” utilizado no mercado capitalista não deveria ser aplicado nessas instituições. Deveria ser algo como: eu estou lhe oferecendo conhecimento, mas você é suficientemente consciente de como deve utilizá-lo? Depois querem eliminar os vestibulares. Mas me responda, acha mesmo que uma pessoa sem-limites e infantil saberia administrar seu tempo para estudar tudo que precisa e ser aprovado em um dificílimo concurso de uma universidade pública?

E, no lugar que deveria ser considerado o ápice da formação de um jovem, o último estágio de sua formação acadêmica, encontramos universitários que, corrompidos pela maioria, atacam uma pessoa da pior forma possível. Juro que me pergunto: que profissionais serão esses que entrarão no mercado de trabalho? Serão esses os administradores, advogados e pedagogos que queremos no futuro?

Mas que conclusões podemos tirar depois dessa confusão generalizada que o caso virou? Que nossa sociedade progride contrariamente à lei natural evolucionista e às tecnologias que criam. Temos pessoas cada vez mais inteligentes que sabem apertar botões, mas não sabem como melhorar a convivência em grupos. Ora, sabemos como criar uma máquina que um macaco qualquer pode operar, mas não sabemos compartilhar e dividir o mesmo espaço como um bando de chimpanzés. Fatos como este só me leva a ficar, cada vez mais, desacreditado que somos uma sociedade evoluída.

 


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