O que era pra ser um simples trabalhinho de algumas horas para um propósito simples, consumiu noites e noites afora, durante vários dias e se tornou um projeto.
Graças ao meu grande amigo Anderson que fecundou a idéia, escolheu a trilha (diga-se de passagem muito bem escolhida) e selecionou algumas cenas de um documentário que enviei a ele anos antes. Um trabalho de depuração digno de diretor de cinema.
Sobrou a mim a tarefa de fazer quase toda a montagem. Transições entre cenas, timming… Tudo milimetricamente acertado usando ao extremo todo o perfeccionismo que sempre me cerca. Por isso demorou tanto… Maldito perfeccionismo! Acabei decorando todas as cenas de tanto que assisti para sincroniza-los com as músicas.
E tudo acompanhado do incrivelmente comprensivo “diretor” Anderson com seus olhos atentos e cansados.
O resultado? Um vídeo bem elogiado no youtube e criticado pela sua mensagem “supostamente” ecumênica. No final de 2008, um novo trabalho consumiu algumas horas para inserir legendas. E assim que as legendas foram atualizadas no youtube, o video começou a receber comentários em outras línguas…
Mas a ideia era apenas chamar para uma reflexão sobre o que fazemos como nosso mundo tão diversificado… Por não conseguirmos manter a paz num mundo tão belo e, ao mesmo tempo, tão diferente! Como lidar e respeitar todas as diferenças entre raças, povos, nações e ideais se não tivermos um elo forte de ligação entre todos? E como é possível, em uma época em que as distâncias se encurtaram, o mundo ser tão grande ao ponto de nunca termos visto as cenas do filme antes?
Um mundo admirável e nosso que estamos deixando que se acabe… O Admirável Mundo Nosso!
Música: Lágrimas da Mãe do Mundo, da extinta banda de rock alternativo Sagrado Coração da Terra do Marcus Vianna.
Cenas:
Retiradas do documentário Baraka (1992) que, curiosamente, não possui nenhuma trilha sonora durante seus 97 min de projeção, apenas sons ambiente. Produção americana dirigido por Ron Fricke e filmado em 23 países, entre eles o Brasil.
Título:
Pra quem não sabe, o nome foi baseado no famoso livro de ficção científica de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo publicado em 1932. Já inspirou músicas como Admirável Gado Novo e Admirável Chip Novo, de Zé Ramalho e Pitty, respectivamente. É uma fábula futurista onde a população, fabricada em laboratório, é pré-condicionada biologicamente e psicologicamente a viver em harmonia dentro das leis e regras sociais. O conceito de família não existe e qualquer dúvida sobre o sistema é dissipada com o consumo de uma droga chamada “soma”. Um livro tão antigo e tão dentro da filosofia capitalista e materialista de nossa sociedade atual.
Programa utilizado:
O simples e ineficiente Windows Movie Maker.
Vasculhando esse imenso espaço virtual da internet, me deparei com um post contendo o seguinte video abaixo.
Interessante… Traz à tona trechos de uma memória antiga. Sempre assisti quando criança, os desenhos do He-man pelas manhãs enquanto esperava o horário de ir para a escola.
Os conselhos do He-man no final dos episódios eram recorrentes. Não existia um desenho sequer que ele não aparecesse dizendo suas sábias frases no pior estilo de um “Moral da história”. Mas nunca imaginei que servissem pra alguma coisa. Por mais politicamente corretos que fossem, eu considerava o encerramento do episódio, na época, uma baboseira completamente inútil.
“Lá vem o He-man dizer o que devo ou não fazer na vida…” =) E mais, dizer tudo que já sei!
Eis que o tempo passa, a gente cresce e um sujeito qualquer na internet me faz repensar minhas atitudes do passado… Como a opinião de He-man pode ser atualizada para os problemas recentes do mundo! Se encaixa perfeitamente no cenário econômico que vemos hoje.
Um bando de idiotas, acreditando em lucro rápido e fácil, apostaram tudo que tinham em títulos de hipotecas sem fundamento! Fora os outros milhões que entraram na onda de investir na bolsa que subia a índices jamais vistos. Créditos pra lá, créditos pra cá e o resultado da corrida por dinheiro fácil foi uma crise no sistema capitalista globalizado! Conheço pessoas que venderam carro para apostar na bolsa e perdeu tudo… Imagino o Esqueleto dizendo: “Vai lá! Aposta na bolsa que é dinheiro fácil e certo!”
Não sei se foi os conselhos de He-man guardados no meu inconsciente, mas o fato é que, mesmo tentado, não entrei nessa canoa furada… Assim, depois desse vídeo, passei a questionar: será que uma série de desenhos animados, onde o personagem principal ganha com a força, queria passar alguma lição de moral para nossas crianças? Do tipo “não converse com estranhos”, “respeite seus pais”. Um tanto paradoxal, afinal, violência e educação não combinam. Qual era o real propósito da série? Educar ou simplesmente entreter?
Algo que me deixa profundamente desacreditado. Os desenhos atuais não possuem mais a inocência e denotação educadora como os desenhos da minha época. Servem, na maioria das vezes, simplesmente para entretenimento. No máximo soltam aquela: “ajudem seu companheiro para derrotarem juntos o inimigo!”. Pra onde irão nossas crianças? O que se pode aprender hoje com desenhos totalmente sem conteúdo?
Fato é que se muita gente tivesse lembrado dos velhos conselhos do He-man não teriam entrado nessa fria… Viva o He-man! “A maneira certa é a melhor maneira!”, mesmo soando obsoleto é assim que deve-se conseguir algo.