O Bolsa Família e a eleição

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Outro dia, enquanto dirigia, escutei no rádio a seguinte propaganda política exatamente tão curta e direta como reproduzo aqui: “Votem em mim. Irei aumentar o bolsa família para R$ 510,00”. O candidato? Levy Fidélix (PRTB) para a presidência.

Realmente entendo os motivos que levam um candidato a fazer uma propaganda deste nível. De um partido pouco expressivo, Levy consegue um tempo muito curto na mídia para lançar sua candidatura. E, sendo um político desconhecido e longe dos holofotes que cercam o trio Dilma/Serra/Marina, nada mais sensato do seu ponto de vista que aproveitar o curto espaço de tempo para atingir, de forma “otimizada”, a maior parte da população. A única estratégia de campanha que lhe resta é apelar para a massa eleitoral com esse tipo de proposta sem nem mesmo esclarecer de onde viria tal dinheiro.

Curioso, quando cheguei em casa, fui pesquisar nessa nuvem de bits que chamamos de internet sobre as propostas dos concorrentes deste ano para o Bolsa Família. Inesperadamente, Levy Fidélix (PRTB) não é o único que propõe um aumento no benefício do programa do governo…

Um caso interessante e menos relevante, mas também apoiando equiparar o Bolsa Família com o salário mínimo, é o polêmico candidato ao senado pelo PCB de Piauí, Antonio de Deus (PCB-PI). Segundo o candidato “o justo seria pagar um salário mínimo a cada família” (Peraí… justo?? Mais tarde volto nessa assunto) e a verba viria dos royalties do pré-sal. Realmente curioso, não?

O tucano José Serra (PSDB) é outro presidenciável que cita bolsa família em suas propostas de governo. Serra pretende duplicar o número de famílias beneficiadas. Já a “sempre-em-cima-do-muro” Dilma Rousseff (PT) até hoje não se posicionou direito sobre o tema, dizendo apenas que o que é bom deve continuar e ironizando a posição do candidato tucano.

A sempre terceira colocada nas pesquisas Marina Silva (PV) (já comentei sobre ela aqui) como sempre faz o papel de “coitadinha” dizendo que sabe bem o que é passar fome, defende o Bolsa Família e acrescenta que deve ser lançada uma terceira geração do programa focando na profissionalização dos jovens.

Precisamos abrir os olhos! O Bolsa Família está sendo usado como propaganda política fajuta. Beneficia a população miserável deste país, que ainda faz parte de grande parte do eleitorado brasileiro, e por isso ninguém tem coragem de dizer que é contra. Até que não ser contra tudo bem, já que o programa, apesar dos seus erros, demonstra que funciona na prática. Mas propor aumento dos valores ou do número de benefícios é uma mera busca por votos fáceis! Até mesmo os que se opunham quando o PT iniciou a bolsa há alguns anos, dizendo que era “vale pobreza” e que a população ficaria “acomodada” se posicionam agora favoráveis a um aumento. Oferecer coisas desse tipo como prometer construir moradias, hospitais e asfalto onde não tem são políticas de massa com o único interesse de ganhar votos. O brasileiro ainda é um povo mal acostumado a ter tudo na mão sem esforço e a possibilidade de ganhar um salário mínimo por estar na miséria enche os olhos de muita gente!

Apoio e defendo o Bolsa Família desde quando ainda era um projeto de governo. É um mal necessário numa sociedade tão desigual quanto a nossa. Mas vivemos agora em um novo Brasil. O valor pago pelo benefício é o menor dos problemas que temos aqui. Entre segurança, saúde, meio ambiente e urbanização, um dos maiores problemas do país, só para citar como exemplo, é a infra-estrutura precária e isto quase nunca é tema de debate (faço outro post sobre o assunto depois). Afinal, o PAC não deu muito certo…

Vamos lá! Olimpíadas e Copa do Mundo virão aí e o que temos? Estradas esburacadas, aeroportos minúsculos e congestionados e transporte coletivo urbano decadente. E antes fosse o problema direcionado apenas aos eventos esportivos: a falta de infra-estrutura atrapalha a produção e logística industrial. De forma simples, indústrias produzindo menos, contratam menos, geram menos empregos e sabe onde isso resulta? Mais pessoas desempregadas e mais famílias dependentes de programas de transferência de renda do governo.

Assim como o Bolsa Família não resolverá a vida de ninguém que depende dele se o sujeito não trabalhar, presidente nenhum consegue gerar empregos num país. Empregos gerados é resultado de investimentos adequados do dinheiro público. Precisamos começar a discutir problemas de países grandes e de economias fortes.

E alguém tem a petulância de achar justo nivelar o valor do Bolsa Família ao valor do salário mínimo? Injusto mesmo são TODOS esses políticos fazendo o eleitor de besta… e ainda corrermos o risco de serem eleitos!

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